PELO AMOR DE DEUS!

PELO AMOR DE DEUS!

Ali Vs Patterson

No outro dia tive que checar duas vezes o ranking do UFC, categoria por categoria, em busca de um nome. Como eu suspeitava, minha busca foi vã. O tal nome que eu procurava, apesar de ser citado em 90% das lutas, não figurava em nenhuma das categorias, e tão pouco é encontrado na lista de treinadores das revistas especializadas. Pode parecer estranho para a maioria das pessoas, e principalmente para a maioria dos lutadores, mas Deus não tem nada a ver com isso. Ele não luta, não treina, não é empresário, e principalmente não torce. Frases como graças a Deus, se não fosse Deus eu não estaria aqui, Deus em primeiro lugar, Deus guiou minha mão e etc. são proferidas com uma naturalidade Lynchiana após as lutas. Talvez seja só eu que ache que Deus deva ter algo mais importante para fazer com a sua eternidade do que ajudar um sujeito a sopapear outro. Talvez seja só eu que tenha saudades das listas infindáveis de agradecimentos pós-lutas do carismático Maguila. Mercadinhos, padarias, açougues eram citados por razões muito mais mundanas, e por isso mesmo, muito mais condizentes com o espetáculo em que estavam inseridas. É tragicômico imaginar Deus dando um tempo nas questões relacionadas ao Oriente Médio para acompanhar um evento de MMA. É possível imaginar Ele gritando para seus colaboradores: A descoberta da cura da AIDS pode esperar mais um pouco, porque hoje é dia de UFC Fight Night!
No ranking dos pegadores pregadores um nome é soberano. Belfort tem transformado suas entrevistas em verdadeiros cultos, e tenta arrebatar fiéis com a mesma volúpia com que conquista seus seguidores no twitter. Cruzes são raspadas na cabeça, e-mails proféticos são lidos, passagens bíblicas são citadas, de tal forma que o pobre Joe Rogan sabe de antemão que precisa passar por isso antes de obter alguma resposta que faça sentido no mundo real. Não me entendam mal, eu admiro sua fé, mas além de não concordar com o local escolhido para expressa-la, fico sempre achando que ele deveria dar um pouco de crédito pra ele mesmo. Afinal de contas, o cara treinou toda sua vida para fazer aquilo e não pode achar que o resultado é decorrente apenas da ajuda divina. Se as coisas seguirem assim, em breve, teremos as denominações religiosas citadas no tale of the tape das lutas, junto com as respectivas artes-marciais.
Quem sabe essa baboseira de gladiadores do terceiro milênio faça com que os lutadores se sintam cristãos jogados aos leões, ou talvez apenas falte à percepção que só existe uma frase envolvendo o nome de Deus que faz sentido dentro de um octógono: Eu sou Deus!

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