Manifesto pelo Kicker no soccer de todo o mundo

Manifesto pelo Kicker no soccer de todo o mundo

Acompanhar a NFL tem sido uma grande diversão. Confesso que não gostava muito e até desdenhava um pouco dos amontoados jogadores de futebol com a mão. Levei um tempo para entender as regras do jogo e as estratégias aplicadas para se vencer uma partida. Por exemplo: O quarter-back (o nosso camisa 10) precisa saber de acordo com o adversário o momento do jogo a hora de avançar por terra ou aplicar uma jogada aérea para o seu melhor wide-receiver (o nosso ponta).

Outro ponto importante numa estratégia desse jogo é defender para que o adversário não avance e tenha a opção de “chutar a gol”, evitar que o kicker entre em campo e salve uma campanha sem chances de marcar um touchdown. O ataque sai de campo com pelo menos 3 pontos e pontuar sempre, ao menos para o inexperiente aqui, é uma boa estratégia para se vencer as partidas.

Agora, imagine se fosse possível tal artificio no nosso futebol. Não faltaria emoção. Traria mais público aos estádios e daria vida longa a jogadores infinitamente talentosos que o tempo cruelmente os fizeram mais lentos e pesados. Esses craques teriam uma sobrevida no futebol e poderiam até se planejar para exercer essa função ao passar dos anos.

“Porra, tô ficando velho. Melhor eu treinar umas faltinhas aqui pra pegar essa vaga de kicker no coringão, aos 40.” – teria dito Marcelinho Carioca se existisse essa vaga no mercado. Aliás convenhamos, o pé de anjo não precisaria treinar para ocupar essa vaga, acredito até que ocuparia esse cargo de maneira quase vitalícia no clube. Ainda podemos imaginar que Zico batesse todas as faltas no Maracanã, o galinho não viajaria com o time, aparece lá no Mário Filho as 21h, aquece com os jogadores no campo e passa o jogo ali esperando o momento apoteótico. Se Zico não pode viajar, Djalminha e Petkovic esse poderiam revezar as partidas na temporada e aqueceriam as discussões de qual kicker o clube deveria levar aos jogos.

“Ontem, Cristóvão errou ao não levar Djalminha para Recife em partida decisiva contra o Sport.” – bradou o craque Neto em seu programa diário. O mesmo apresentador que poderia ser um dos candidatos a chutador no coringão. Você está aí indignado com essa minha “viagem”? Tudo bem, mas esses caras no auge batiam faltas depois de 80/90 minutos de uma partidas disputadíssimas e decidiam partidas. Por que não agora? Entrariam descansados, concentrados e com a experiência de uma vida toda.

A lista de kickers seria enorme: Juninho ou Felipe no Vasco, Raí no São Paulo, Alex no Cruzeiro, Arce no Palmeiras, Marcos Assunção no Santos, Ramon no Fluminense, Paulo Baier no Criciúma. A maioria desses caras topariam uma pelada do “showbol” no final de semana, talvez aceitassem bater umas faltas no Maracanã, Beira-Rio, Mineirão. A melhor parte para eles? Seriam remunerados por gols marcados. Negociam um valor por cada gol marcado de falta ou pênalti e estariam de volta aos holofotes.

Na prática o kicker só poderia entrar em campo em bolas paradas. Faltas, escanteios ou penaltis sem a necessidade do jogo parar como se fosse a substituição de um líbero do vôlei. E o adversário pode aproveitar a presença desse jogador mais lento para contra-atacar desde que a bola não saia. Com a bola fora de jogo e em seu domínio a equipe pode substituir o kicker pelo jogador que estava lá fora recebendo orientações do treinador ao pé do ouvido.

Enfim, isso é realmente uma loucura da minha parte. Mas confesso que ficaria muito animado com essa nova atração lá em Itaquera.

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