No ataque. Sempre.

No ataque. Sempre.

 

Se o amigo leitor é razoavelmente versado no mundo das publicações esportivas internacionais, deve saber que existe uma revista inglesa – muito boa, por sinal – chamada 4-4-2. É um bom nome. Porque, quando Charles Müller desembarcou no país com bolas de football na bagagem e decidiu organizar matches em São Paulo, acho que os seus camaradas da Commonwealth já curtiam organizar-se taticamente no esquema 4-4-2. Dizem que nos primórdios o violento esporte bretão era mais aberto, com não sei quantos latagões no ataque. Duvido muito disso. História para inglês ver, aposto. Essa turma do Norte, para mim, joga no 4-4-2 desde os tempos das cruzadas.

Faz sentido. O 4-4-2 é um esquema equilibrado e conservador como os seus inventores. Dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois meias, dois atacantes, tudo arrumadinho, tudo dois. Exceto o goleiro – que, se fosse possível, bem que eles escalariam em dupla também. Número ímpar lá deve ser obscenidade. Para completar sua equação, os britânicos jogam invariavelmente com duas linhas de quatro e os dois pobres atacantes mais adiante. Preciso confessar que estou com sono só de escrever isto, mas os povos do Atlântico Norte sempre lidaram bem com o tédio e digo mais: eles têm a crença de que só um espetáculo verdadeiramente tedioso é merecedor de sua admiração. Não fosse assim, James Joyce jamais teria vendido um exemplar do cacetíssimo Ulysses – e o supervalorizado Shakespeare não seria mais montado nos dias de hoje do que o verdadeiro gênio do teatro, Nelson Rodrigues. Do teatro e do nosso ofício de escrever bem sobre esportes.

Não me entendam mal: eu respeito os ingleses, fundadores do nosso tão amado esporte das botinadas. Mas é fundamental pontuar que fundar não é a mesma coisa que inventar. Jesus fundou o Cristianismo. No entanto, todo mundo sabe que quem inventou o Cristianismo e o transformou em fenômeno de crítica e público foi Paulo de Tarso. Sem a astúcia de Paulo, os prodígios de Jesus teriam ficado confinados na pequena e empoeirada Palestina. De forma análoga, se não fosse pela astúcia dos brasileiros e de seu jogo sinuoso e ofensivo, o futebol seria hoje tão popular quanto a briga de galos e o arremesso de anões – modalidades que, creio, tinham incontáveis adeptos nos tempos em que se amarrava cachorro com linguiça.

Então ficamos assim: os ingleses fundaram o futebol; os brasileiros inventaram o futebol. Os ingleses jogam com cautela; os brasileiros se jogam. Eles gostam do 4-4-2; nós somos o 4-3-3. Assim, 4-3-3 é, para nós, mais do que uma formação tática ou um nome de site com textos fuderosos sobre esportes: 4-3-3 é uma filosofia de vida.

Nós jogamos no ataque. Nós corremos riscos. Nós temos opinião. Nós usamos palavras como “fuderosos” em nossos textos. Nós gostamos do lado B. De Brasil. De bonito. De Jogo Bonito, que é como os ingleses se referem ao nosso futebol. A gente sabe apreciar o sabor de um texto instigante e bem escrito. Aqui, sabemos que uma pelada com alma é melhor do que uma final da Champions sem sal. Portanto, se você gosta de best sellers, tente outro site. Aqui, Coetzee vale mais que Coelho e Romário nunca será menor que Messi. A gente sabe que o Brasil x França de 1986 foi muito melhor do que o de 1998 – não por causa do placar, mas porque o de 1986 foi um jogão. Você também sabe. E é por isso que você está aqui. É por isso que você foi astucioso o suficiente para encontrar o nosso canto (e agora o seu também) em meio a tantos portais poderosos e cheios de textos poderosamente previsíveis.

O 4-3-3 é um site que tem a gloriosa e patética ambição de fazer pela crônica esportiva nacional o mesmo que o futebol brasileiro fez pelo football britânico: nós queremos virar essa bagaça toda de cabeça para baixo.

Siga o 4-3-3. Divulgue o os nossos textos. A gente joga no ataque. E você é o nosso centroavante.

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