LUTAI POR NÓS, JOSÉ ALDO

LUTAI POR NÓS, JOSÉ ALDO

Foto: Blog the Province

O dia 25 de outubro pode ficar marcado de maneira trágica para o MMA brasileiro. No card principal do UFC 179, José Aldo colocará muito mais do que o cinturão dos penas em jogo contra Chad Mendes. Em caso de derrota do manauara, o Brasil perderá o único título que lhe resta na organização, algo que poderá resultar em um futuro parecido com o boxe, para ficar só no mundo das lutas, no País. Desde que Popó perdeu seu cinturão, quantas lutas de boxe você assistiu na Globo, a maior emissora de televisão do país? É, pois é.

Se é verdade ou não que brasileiro não gosta de esporte, mas de vencer, isso são os sociólogos que têm que discutir. O fato é que quando o Brasil não está no topo, a audiência baixa e o interesse parece ficar cada vez menor.

Já voltaremos para o mundo das lutas. Mas vamos usar o automobilismo como exemplo para este problema. Desde 1993, quando Ayrton Senna tornou-se tricampeão mundial, nenhum brasileiro conquistou um título da Fórmula 1 – Felipe Massa chegou muito perto em 2008, mas no meio do caminho havia um Glock, havia um Glock no meio do caminho. Pois bem, de lá para cá, a audiência da principal categoria do automobilismo vem caindo gradativamente (apenas em 2013, 50 milhões de pessoas deixaram de acompanhar o campeonato de Bernie Ecclestone). Mesmo ainda sendo o líder de audiência mundial, o Brasil também foi afetado, e a Globo viu 8,4 milhões de telespectadores deixarem de acordar cedo para assistir às corridas. Qual foi a solução? TV Globinho. Desde o GP da Alemanha, em julho deste ano, a Globo passou a transmitir apenas os 20 minutos finais do treino classificatório, deixando os outros 40 para Bob Esponja e companhia – a Sportv, canal a cabo da Globo, começou a passar a classificação ao vivo.

A medida em nada adiantou, é verdade. A audiência no sábado de manhã continua baixa. Mas isso mostra uma tendência: a ida gradativa da Fórmula 1 para a TV a cabo, como aconteceu com a MotoGP e o próprio boxe. No caso do UFC, em especial, a Globo já se vê obrigada a compartilhar o conteúdo com seu canal de pay-per-view, o Combate, por conta do contrato com a organização de Dana White. Mas outro produto poderá estar em jogo caso o Brasil não tenha mais nenhum título: o The UltimateFighter Brasil.

Conhecido por ser o reality show que salvou o UFC em seus primórdios, a atração se encaminha para a quarta edição no Brasil. Mas muito longe da atenção despertada em seu começo, inclusive pela Globo.

A final deste ano, que teve os combates “Cara de Sapato” x Vitor Miranda e Warlley Alves x Márcio “Lyoto” como chamarizes, registrou a pior audiência das três edições: 10,5 pontos na Grande SP, contra 12 da segunda e 15 da primeira. Além da perda do fator novidade, que costuma atrair muitos curiosos para frente da tela, a atração passou a ser deixada de lado pela Globo. Sem quadros no Fantástico (na primeira edição, a cantora Sandy entrevistava os participantes), a atração foi colocada para o horário das 00h, da madrugada de domingo para segunda, cerca de 30 minutos mais tarde que o normal.Convenhamos que não é o melhor horário para quem acorda cedo na segunda-feira para trabalhar.

A passos não tão lentos, o TUF caminha para o esquecimento na principal emissora do país. Seu futuro? Provavelmente o Sportv. Mas isso só o tempo dirá. A única coisa certa é que uma derrota de José Aldo acelerará o desinteresse pelo esporte em que os brasileiros pararam de vencer.

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