LUTA CONTRA A MONOTONIA

LUTA CONTRA A MONOTONIA

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Prometi pra mim mesmo que não iria me manifestar sobre a achacada que deram no Johny Hendricks no ultimo sábado, na disputa de cinturão contra George St Pierre. O problema é que diante de tantas barbaridades e imprecisões ditas ultimamente é praticamente impossível eu ficar calado. Esse texto, como gosta nosso querido Cassaca, não terá lirismo ou grandes referências literárias. Serei direto, claro e inconclusivo como sempre. Meu objetivo é apenas colocar pra fora as coisas que andam me incomodando. Já desdizendo minha frase anterior, acho que isso aqui será parecido com a linha proposta por Nietzsche para o título alternativo do seu livro Crepúsculo dos Ídolos: vamos filosofar com o martelo!

Vi várias pessoas dizendo que o St Pierre lutou excessivamente estratégico e amarrando a luta. Nesse caso específico preciso dizer que aquilo nada mais é do que o St Pierre sendo St Pierre. Simplesmente mostrando o que ele faz de melhor. Ele é, e sempre foi assim. Burocrático, monótono, estratégico e eficiente. Os números falam por si. Sua ultima vitória pela via rápida foi em Janeiro de 2009 contra BJ Penn por TKO. Em 2009 a maioria dos hoje fãs do MMA sequer assistiam ao UFC, e mal conheciam seus campeões. Suas ultimas 7 lutas foram ganhas por pontos, incluindo a vitória injusta de sábado passado. Seu cartel, de 27 lutas com 25 vitórias, conta apenas com 8 nocautes e 5 finalizações, é o retrato do lutador extremamente eficiente e chato que ele se tornou ultimamente.

Outra besteira repetida exaustivamente é que se o Hendricks queria ser campeão deveria ganhar com uma larga margem, se possível pela via rápida. Que ironia! Ou seja, ganhar do GSP sendo GSP não é o suficiente para tirar-lhe o cinturão. Como podem usar essa argumentação como uma atenuante para o erro de arbitragem? Sim, erro de arbitragem. Na minha opinião GSP ganhou o round 1 e 5 e os demais foram ganhos pelo JH. Claramente isso, e sem nenhuma margem para essas pontuações que deixam tudo em aberto. A moda agora é o comentarista pontuar um round e dizer que ele poderia ter ido para qualquer lado, que foi muito parelha. Se não tem certeza, então mesmo contra a recomendação de não se usar frequentemente, deveria marcar empate. Ah, e antes que eu me esqueça a verdade é que basta o desafiante ganhar pela margem mínima para se sagrar campeão, esse papo de que para derrotar um campeão o sujeito tem que faze chover é burrice ou má intenção.

Ao contrário do que muitos pensam UFC não manda nas pontuações e arbitragem das lutas, ficando essa área sob o comando das comissões atléticas locais. Não tenho conhecimento profundo sobre o tema, mas segundo o chefão do UFC, Dana White, a Comissão Atlética de Nevada é patética. A julgar por essa ultima luta tenho uma forte tendência a concordar com ele. Além de não comandar o julgamento das lutas os interesses do UFC não são que esse ou aquele lutador vença, e sim que os lutadores façam uma grande espetáculo. Um novo campeão ou um campeão hegemônico podem ser igualmente lucrativos quando bem explorados, e vamos combinar que eles sabem fazer isso como ninguém.

Por fim, mas não menos importante eu gostaria de falar que quando se trata de luta, porrada conta, ou deveria contar. Sei que o aspecto físico não é levado em consideração no julgamento, mas o fato do GSP ter ido parar no hospital após a luta com a cara arrebentada alegando perda de memória não pode ser esquecido. Quem esteve mais perto de finalizar a luta foi indubitavelmente o Hendricks e quem ficou desfigurado pelos golpes de seu adversário foi o campeão. Se isso não for o suficiente para alguém merecer a vitória precisamos urgentemente mudar as regras desse esporte. Deixo aqui uma ultima minha pergunta, se você tivesse que escolher um dos dois para trocar de lugar durante aqueles 5 rounds qual deles você gostaria de ter sido?

Saudades dos tempos de “dois homens entram e um homem sai”.

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