Deus está nas coincidências

Deus está nas coincidências

Você, raro leitor do 433, já reparou que os grupos do Whatsapp apresentam abrupta queda no tráfego de mensagens, vídeos, fotos e áudios assim que o horário comercial acaba e o caboclo vai para os domínios da patroa?

Mas não é só o tititi dos dedos no celular e as e as virgens que sofrem com o cair da noite. A dupla de piada do Zorra Total, novela e futebor, também. As recentes manchetes sobre o mundo da TV dão conta que as novelas da Globo tem menos público que os 10 Mandamentos, da Record, que o Masterchef, que a Xuxa quando ela recebe a Ivete Sangalo e que de vez em quando leva porrada até da Larissa Manoela e dos Cúmplices de um Resgate.

Em parte, esses dados contradizem os entendidos que afirmam que o público paulatinamente abandona a TV pelo binge-watching do duo Netflix-Now. A TV tradicional tem um público e ele sempre estará lá. Novela é o que o povo gosta, mas por que então não assistem mais na Globo? Uma interessante teoria levantada entre os noveleiros nas redes sociais é que na Globo a novela das 8 agora começa às 21h30, com isso, o público que curte gente que fala sozinha sempre que tem um plano infalível, migrou para a Record e SBT, que oferecem a mesma linguagem em horários amigáveis.

Coisa parecida aconteceu no futebol brasileiro até o dia 15 de março de 2015, quando as manifestações contra o PT forçaram a PM paulista a ordenar que a FPF adiantasse o jogo Palmeiras e XV de Piracicaba das 16h para às 11h. A mudança de horário transformou os jogos matutinos em um grande sucesso de público que vem se repetindo em todas as rodadas do Brasileirão.

Até no Rio de Janeiro, onde ouvi nas ruas gente dizer que “isso só daria certo de São Paulo para baixo”, sul, para os preciosistas, o público do primeiro jogo às 11h foi um sucesso. O Vasco, até a 24ª rodada, é o único carioca a ter mandado um jogo no horário da moda, o público pagante de Vasco x Joinville foi de pouco mais de 35 mil pagantes, com R$ 1,5 milhão de faturamento. A média do Clube da Colina neste Brasileirão é de 11 mil pagantes, com renda de R$ 450 mil, por jogo.

Os dois maiores públicos do campeonato são no horário “inventado pelo Palmeiras” no Paulistão 2015, 59 mil e poucos para São Paulo 3 x 1 Coritiba, e 55.987 pessoas para Atlético-MG 1 x 0 Joinville.

Embalado pelo horário das 11h, que é amado pela torcida, e pelos departamentos de marketing, e odiado pelos jogadores e técnicos (pelo calor excessivo dos trópicos, mas isso é assunto para outro texto), os jogos da tarde (16h e 17h) e começo de noite (18h, 18h30, 19h e 19h30) começam a atrair mais gente.  Dos 10 jogos com mais público pagante do Brasilerão 2015, 7 são da manhã ou até o fim de tarde, o restante são das partidas da noite, o que dá 3, ou 30%, se a matemática não mudou desde que parei de frequentar as aulas do Sávio. Setenta por cento é coisa para caralho, é mais do que a parcela da população que foi às ruas, bateu panela e quer o impeachment da Dilma.

(Imagem originalmente publicada no blog futebol no estádio – futebolenoestadio.wordpress.com)

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