ARGENTINA NÃO!

ARGENTINA NÃO!

Argentina's Messi is congratulated by his teammates after scoring a goal against Bosnia during their 2014 World Cup Group F soccer match at the Maracana stadium in Rio de Janeiro

A Copa do mundo já é um retumbante sucesso, em que pesem os graves problemas de superfaturamento de estádios e a zona administrativa que antecedeu o evento. Para falar a verdade, nem a mais otimista das previsões poderia supor a explosão de futebol e alegria que tivemos por aqui nesses dias de Copa. Nem mesmo Marcos Caetano, e sua incorrigível mania de ver o melhor em tudo e em todos, poderia prever que essa seria – de fato – A COPA DAS COPAS. Copa dos grandes craques e suas tragédias. Copa do encontro do torcedor com a festa espontânea, do inverno quente dos trópicos. Copa onde a ausência de surpresas entre os semifinalistas seria a grande surpresa da competição. Dias de paz, amor, glórias e muito futebol. Por qualquer ângulo (quantitativo, emocional, técnico ou financeiro) que se olhe, o balanço final é sempre inegavelmente positivo. Para ser sincero, somente uma coisa pode pôr tudo a perder. Só uma coisa, e somente uma, pode arranhar esse momento mágico. Não me refiro ao Brasil não disputar a final da Copa do Mundo, e muito menos a eventualidade de uma derrota para Holanda no último jogo. Essas coisas, a despeito de serem desagradáveis, não me tiram nem um minuto de sono. São como pequenas imperfeições que conferem caráter aos nossos entes amados, sempre tão perfeitos. São coisas da vida. A única coisa capaz de deixar um gosto amargo na minha boca, e na boca de várias gerações, seria uma derrota para Argentina. Perder para nossos eternos rivais, na Final da NOSSA Copa na NOSSA casa seria devastador. Um Maracanazo argentino comprometeria nossa festa, nosso estádio e sobretudo nossas crenças mais absolutas. No caso de uma derrota para Alemanha ou para Holanda, sempre poderíamos nos valer de boas desculpas. São escolas europeias, e por isso mesmo sua disciplina e preparo físico acabaram prevalecendo. Alguns vão falar que o Brasil sem Neymar ficou sem alma e que Fred ficou devendo, e por aí vai. Até o fato de ser o primeiro título da Holanda funcionaria como uma boa forma de aplacar a nossa dor. Agora, no caso de derrota para Argentina não. Nada acalmaria nosso sofrimento, nada seria o suficiente para não nos sentirmos eternamente derrotados, porque perder para uma seleção mais habilidosa é algo que nunca estaremos preparados.

Nota: Pode parecer estranho, num momento como esse, falarmos de derrota, mas o meu lado supersticioso e o tal fantasma de 50 não me permitem escrever nada que palidamente lembre um texto de “já ganhou”.

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