Adivinhe Quem Vem para Jantar

Adivinhe Quem Vem para Jantar

De vez em quando é bom estar enganado com algumas coisas. No dia de 16 de dezembro, quando o Palmeiras apresentou Oswaldo de Oliveira como técnico tinha certeza que a escolha pelo carioca fã de Chet Baker e fala tranquila não daria certo, mas até agora tem sido um sucesso.

O time troca passes e mostra poder de reação inédito nesta década. Ganhar e perder é do jogo. Apatia e desorganização, marcas do amadorismo que dominava o Palmeiras nos últimos três anos, ficaram para trás com Oswaldo.

Boto na conta da derrota o excesso de superstição e o fator psicológico. Não do time, mas da torcida. Há uns 15 dias, minha mulher falou que uma amiga de São Paulo viria ao Rio passar o feriado de 1º de maio conosco. No final de semana do primeiro jogo da final do Paulista, no Allianz Parque, perguntei para que time torcia a amiga e o namorado, que até então eu não havia sido apresentado.

Esperei e cobrei por 3 dias a resposta sobre a agremiação dos convidados. Na quarta, véspera da chegada do casal veio à resposta. “O cara é santista”, contou minha mulher, “, mas a namorada é Palestra”.

Na noite de quinta, logo que chegaram, perguntaram qual melhor horário para pegar a estrada. “Antes do jogo”, deixei bem claro a importância do evento. O Palmeiras não jogava uma final de Paulistão há 7 anos, contra o Santos o último jogo decisivo foi mais 50 anos atrás, quando o Pelé ainda era um teenager, e justo no dia da final me aparece um santista para ver o jogo em casa. Eu não tenho amigos santistas, não por preconceito, mas por escassez de “peixes” em Caçapava e em São Paulo. A possibilidade de ver um jogo com um santista era tão remota quanto um nocaute na luta Mayweather vs Paquiao.

Conforme o domingo foi chegando, a ansiedade aumentando e a presença de visitas em casa impossibilitando a abertura do arsenal de superstições, a tragédia foi se prenunciando. Às 14h, 2 horas antes da final, involuntariamente me tornei mudo. Só abria a boca para beber cerveja. Quando o jogo começou, talvez tenhamos atingido o nível de silêncio de uma final somente ouvido após o gol de Ghiggia no Maracanazo. Respeitosamente, o santista não esboçou reações no chocolate que foi o primeiro tempo.

O gol de Lucas foi uma explosão tão grande que fiquei rouco após 3 horas de silêncio. Mas o pior estava por vir, nos acréscimos, quando o goleiro do Santos rebateu a falta de Cleiton Chico Xavier e o Palmeiras fez o gol que daria o título. A gritaria foi tanta, que minha voz foi embora de vez. A tragédia e a vergonha pela derrota “em casa” foram ainda maiores quando vi o bandeirinha jogando minha honra no lixo de vez ao marcar o impedimento.

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