A edificante história do melhor volante do Novorizontino

A edificante história do melhor volante do Novorizontino

 

João Adamastor Barbiroto foi uma joia desconhecida. Um digno retrato das “Chuteiras Imortais” do 433 que, por motivos escusos, nunca chegou ao idílico patamar de mito nacional.

Até hoje, mais de 20 anos depois de uma gloriosa tarde de 1994, Barbiroto desafia a memória dos cronistas, comentaristas e historiadores esportivos.

Mas a recordação lateja dormente nos anais da região da Grande Borborema, quase interior do Estado de São Paulo.

Pois, claro, Barbiroto era ninguém menos do que o grande Johnny Apalache, apelido de procedência incorreta que atestava o espírito guerreiro do maior volante da história do Tigre do Vale.

Ora, não há uma sequer vivalma com mais de 80 anos em Novo Horizonte que não recorde dos sprints de Apalache pelo estádio do Jorjão nas tardes de domingo, beirando a arquibancada, fazendo pressão, gritando como louco, esbravejando contra o juiz. Esse sim segurava o tranco pelo time.

Chegou a ser considerado, à época, como uma amálgama entre Roberto Cavalo e Amaral, com a diferença de que dispunha do encanto de Válber na briga pela zaga e o impulso de Palinha no avanço para frente. Prevendo as jogadas, era sempre o primeiro a correr para o ataque.

Apalache jurou que faria as manchetes nacionais brigando pelo seu time ou morreria tentando.

Morreu tentando. Aos 58 anos de idade, seu coração adoentado não suportou a emoção de testemunhar a conquista do título da Série C do Campeonato Brasileiro de 1994.

Entrou em colapso fulminante dentro do campo após o apito final, comemorando um épico 5 x 0 sobre a Ferroviária. Não deixou mulher nem filhos, apenas a única e gasta camiseta preto-amarela com o emblema G.E.N, indumentária com a qual pereceu vestido e foi subtraída por um funcionário do IML de Catanduva.

Fora de Novo Horizonte, ninguém se recorda da lenda. Ficam na memória apenas aqueles jogadores que entraram para a seleção – Paulo Sérgio e Márcio Santos – e aqueles que se destacaram em grandes clubes – como Luís Carlos Goiano e Alessandro Cambalhota.

Daquele que beirava a arquibancada do Jorjão, correndo para cima e para baixo, esperneando como uma gazela no abate, sobrou apenas a epígrafe em um túmulo de granito manchado no cemitério Monsenhor Albino com os dizeres:

Aqui jaz Johnny Apalache (1935–1994), o torcedor mais fanático do Novorizontino 

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